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Aquecimento causado pela redução de aerossóis

Em 2015, a temperatura média global atingiu 1°C acima dos níveis pré-industriais. Mas o planeta registraria um aumento adicional de 0,5°C na temperatura no mesmo ano, não fosse pelo efeito de resfriamento dos aerossóis presentes na atmosfera, concluiu estudo de cientistas do Canadá e da Finlândia.

Aerossóis são partículas microscópicas presentes na atmosfera. Dependendo do tipo, eles podem interferir na absorção de energia pela Terra. De acordo com o estudo, eles podem refletir a luz solar de volta ao espaço, ou absorvê-la e dispersá-la na atmosfera. Ou podem modificar as propriedades das nuvens.

Dessa forma, a concentração atmosférica de aerossóis constitui um elemento importante na evolução do aquecimento global. Estima-se que, atualmente, o efeito de todos os aerossóis da atmosfera seja de resfriamento, contrabalançando o aquecimento associado às maiores concentrações de gases de efeito estufa.

Uma das fontes de emissão de aerossóis é a queima de combustíveis fósseis, que também consiste na principal fonte de dióxido de carbono – CO2.

Para cumprir as metas do acordo climático de Paris, limitando o aquecimento a no máximo 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para 1,5°C, exigiria o fim das emissões de CO2 e, consequentemente, de aerossóis.

Medidas de controle da poluição também promovem a diminuição das emissões de aerossóis. Ambos os casos podem levar a quedas na quantidade de aerossol presente na atmosfera, com possíveis desdobramentos na absorção de radiação solar pelo planeta. 

O objetivo do estudo foi avaliar as implicações da redução dos aerossóis nos esforços para limitar a temperatura a 1,5°C ou 2°C acima dos níveis pré-industriais. Ele se baseou em simulações realizadas em um par de diferentes modelos climáticos.

Foram considerados dois cenários de aquecimento global até 2100, um para cada meta do acordo de Paris. Incluiu-se duas possibilidades de redução de aerossóis, uma média, baseada na legislação relacionada à qualidade do ar, e outra alta.

O estudo apontou que a implementação de medidas de qualidade do ar por si só praticamente inviabilizaria alcançar a meta do acordo de Paris. A redução da emissão de aerossóis provocaria significativo aumento da temperatura média global na primeira metade do século, particularmente no hemisfério norte.

Considerando que em 2015 o aquecimento estava 1°C acima dos níveis pré-industriais, a redução das emissões de aerossol levaria a um aumento de quase 0,5°C. Com isso, o limite mais baixo do acordo de Paris, de 1,5°C, encontra-se virtualmente fora do alcance.

No caso de uma diminuição ambiciosa da emissão de aerossóis, a meta de 2°C seria ultrapassada na primeira metade do século. No entanto, com a eliminação das emissões de gases de efeito estufa, a temperatura em 2100 retornaria a patamares abaixo de 2°C.

Apesar dos benefícios para a qualidade do ar e a saúde humana, o estudo ressalta que uma redução acelerada da emissão de aerossóis traria um aquecimento global mais rápido e ampliado em um curto período de tempo.

Nesse sentido, o ideal seria diminuir a emissão de aerossóis simultaneamente com a redução das emissões de gases de efeito estufa. A melhor solução continua sendo a contenção do aumento das concentrações atmosféricas de CO2.

Mais informações: The impact of aerosol emissions on the 1.5 °C pathways
Imagem: Freeimages

One Comment

  1. […] Os resultados mostraram que uma ampla faixa de concentrações de CO2 poderia acompanhar o aquecimento de 1,5°C ou 2°C. No primeiro cenário, o nível do CO2 atmosférico poderia ser de até 765 ppm sob determinadas condições – como, por exemplo, se seus efeitos fossem contrabalançados pelos aerossóis. […]

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