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Aquecimento global no passado da Terra

Uma descoberta geológica trouxe nova evidência confirmando que, no passado da Terra, emissões maciças de metano – CH4 -, um potente gás de efeito estufa, contribuíram para um evento de aquecimento global.

Há cerca de 56 milhões de anos atrás, registros paleoclimatológicos indicam um período de aquecimento do planeta denominado de Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno – PETM, na sigla em inglês.

Uma das hipóteses era de que a elevação da temperatura média global nesse período tivesse ocorrido por emissões de metano em larga escala, o que teria intensificado o efeito estufa. A fonte de emissão do gás seriam a destruição de hidratos de metano, compostos de metano com água que faziam parte dos sedimentos presentes no fundo dos oceanos.

Estudo de cientistas da Austrália, da Rússia e de Taiwan utilizou um método aplicado na exploração de jazidas de gás em áreas de rochas sedimentares. O método se baseou na exploração das propriedades magnéticas dos minerais da crosta terrestre.

O local do estudo foi o depósito de minério de ferro de Bakcharsky, em Tomsk, na Rússia. O deposito se formou a partir de sedimentos do mar antigo, entre 90 e 56 milhões de anos atrás. A análise encontrou dois minerais raros, a pirrotita e a greigita, em meio aos depósitos de minério de ferro.

Sob certas condições, quando depósitos de minério de ferro são expostos ao gás metano em rochas sedimentares, ocorre a formação dos compostos pirrotita e graigite.

A idade dos minerais encontrados é de cerca de 56 milhões de anos, correspondendo ao período do PETM. Além dos minerais raros, os cientistas também detectaram traços de metano na rocha. Ambas as evidências apontam para as emissões de metano a partir de hidratos dos sedimentos marinhos como uma possível causa do aquecimento.

Ao longo de 15 a 20 mil anos, a temperatura média global subiu entre 5 e 6oC durante o PETM. A concentração atmosférica de dióxido de carbono – CO2 – subiu de 3 a 4 vezes.  Junto ao aquecimento global, registrou-se uma notável alteração da biodiversidade nos oceanos e na superfície terrestre.

Fonte: Universidade Politécnica de Tomsk e Universidade da Pennsylvania
Imagem: Universidade Politécnica de Tomsk – foto de uma pirrotita

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