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Ondas de calor e a saúde

A saúde humana se tornou menos vulnerável às ondas de calor nas últimas décadas. Mas há grande variabilidade espacial na redução, e muitas populações, especialmente em países desenvolvidos, não foram devidamente pesquisadas, afirma estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

De acordo com o estudo, ondas de calor constituem a principal causa climática direta de aumento da mortalidade em países desenvolvidos, e uma das maiores em países em desenvolvimento.

O aumento na mortalidade e morbidade humana se dá quando um limite de temperatura é ultrapassado em um determinado local. As causas de morte podem ser múltiplas, como, por exemplo, respiratórias, cardiovasculares ou pela insolação direta.

Há variabilidade no espaço e no tempo, e fatores como idade, sexo e renda podem também contribuir para a maior vulnerabilidade às ondas de calor.

Uma provável consequência do aquecimento global será o aumento em grande escala na frequência e duração das ondas de calor. As mudanças no clima, apontam os cientistas, serão acompanhadas por mudanças demográficas na população. Em todo o mundo, a população está envelhecendo, registrando-se um crescimento no número de pessoas com mais de 65 anos de idade – o grupo mais vulnerável às ondas de calor.

Contudo, ao longo do tempo as sociedades são capazes de se adaptar às questões climáticas. Implementação de sistemas de alerta, as melhorias na assistência à saúde, o uso do ar condicionado ou o planejamento urbano, entre outras, representam ações capazes de reduzir a vulnerabilidade da saúde humana às ondas de calor.

Os pesquisadores revisaram a literatura científica a fim de identificar tendências do impacto do calor na saúde humana. Incluiu a análise de estudos de casos de eventos extremos de calor e seu impacto na saúde humana, bem como estudos epidemiológicos sobre a relação entre mortalidade e morbidade e as altas temperaturas. Em ambos os casos, o estudo traçou como a resposta da saúde humana mudou ao longo do tempo.

O estudo observou na literatura que o impacto dos eventos de calor na saúde humana diminuiu nas últimas décadas. Algumas regiões do planeta apresentam maior vulnerabilidade do que outras, mas, em geral, a pesquisa se concentrou nos centros urbanos dessas regiões. As áreas rurais foram muito pouco examinadas.

Apesar da redução da vulnerabilidade, os riscos para a saúde estiveram associados a diferentes tipos de doenças e diferentes aspectos demográficos. Essas diferenças ajudavam a explicar a variabilidade geográfica nos impactos das ondas de calor sobre a saúde. Também refletia a complexa influência de fatores não climáticos, tais como a qualidade do ar e a renda.

Parte da literatura sugeria que a redução da vulnerabilidade se devia a melhorias sociais, entre as quais o aumento dos padrões de vida ou da renda, o desenvolvimento dos sistemas de saúde, a implementação de medidas de adaptação e a conscientização.

Contudo, o estudo detecta uma estabilização na taxa de redução da vulnerabilidade às ondas de calor nos últimos anos. Isso pode apontar para limites na capacidade de adaptação ou aclimatação.

Os pesquisadores recomendaram uma expansão da pesquisa, de modo a abranger tanto diferentes escalas geográficas – áreas rurais, ou diferentes zonas dos centros urbanos – quanto os países em desenvolvimento.

Para as projeções de impactos futuros das mudanças climáticas, deve-se levar em consideração as mudanças temporais registradas na literatura científica. Por meio delas, a vulnerabilidade da saúde humana às ondas de calor diminui.

Mais informações: Temporal trends in human vulnerability to excessive heat
Imagem: Flickr/ Milton Jung

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