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A perda do estoque de carbono dos solos congelados

Reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas é fundamental para evitar o derretimento dos solos congelados do Hemisfério Norte, afirma estudo de um time internacional de cientistas. Caso as políticas de mitigação falhem, essas regiões poderão liberar quantidades significativas de carbono no futuro.

A consequência seria tornar o aquecimento global irreversível e ainda mais acentuado.

Estima-se que a região dos solos congelados do Hemisfério Norte contenham cerca de duas vezes a quantidade de carbono que existe na atmosfera. O carbono se encontra presente no solo em forma de matéria orgânica. Mas o clima na região tem se alterado, com elevação das temperaturas.

Um dos efeitos é o derretimento dos solos. Uma vez descongelada, o material orgânico passa a ser decomposto por microorganismos. No processo, libera-se gases de efeito estufa, como o metano – CH4 – e o dióxido de carbono – CO2.

Dessa forma, o derretimento dos solos congelados contribui para intensificar o efeito estufa da atmosfera. Inicia-se um ciclo positivo. A intensificação do efeito estufa trará mais aquecimento, acelerando o derretimento dos solos e a liberação de quantidades ainda maiores de carbono pela decomposição da matéria orgânica.

O estudo foi baseado em simulações de modelos climáticos do período entre 2010 e 2299. Os cientistas tentaram reproduzir nos modelos as alterações do clima e as dinâmicas associadas ao derretimento dos solos e emissão de gases de efeito estufa.

A análise inclui um cenário de baixas e outro de altas emissões. No primeiro, as emissões globais cairiam em 75% ao longo deste século. No segundo, as taxas atuais de uso de combustíveis fósseis continuariam sem mudanças.

Os modelos indicaram que no cenário de baixas emissões, a área de solos congelados afetada pelo derretimento ficaria entre 3 a 5 milhões de quilômetros quadrados. Os resultados do estoque de carbono dos solos variou consideravelmente, de um ganho de 70 petagramas para uma perda de 66 petagramas.

No cenário de altas emissões, as perdas de solos congelados somaram entre 6 milhões e 16 milhões de quilômetros quadrados. A diminuição do estoque de carbono variou entre 74 e 652 petagramas, ou 20% a 63% do total armazenado atualmente.

Em ambos os cenários, o estudo sugere que as emissões ocorreriam principalmente a partir de 2100.

Os cientistas alertaram para a importância das políticas de mitigação das emissões. Sem elas, o aquecimento global poderá ser agravado.

Fonte: Universidade do Alasca Fairbanks
Imagem: Flickr/ Bering Land Bridge National Preserve

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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