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Variações regionais do aumento do nível do mar

Limitar o aquecimento global minimizaria os impactos do aumento do nível do mar sobre as cidades costeiras, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos. Um corte nas emissões de gases de efeito estufa em curto prazo reduziria significativamente o aumento projetado para o fim do século.

O aumento do nível do mar constitui uma das principais consequências do aquecimento global. Ele é causado pelo derretimento das geleiras e calotas polares, em combinação com a expansão térmica das águas oceânicas. Pode trazer impactos severos, como a inundação de países insulares ou a interferência na infraestrutura de cidades costeiras.

A elevação do nível do mar varia de acordo com a região do planeta. A razão se deve às correntes oceânicas e à interação entre a atmosfera e os oceanos – criando, por exemplo, padrões de circulação de vento que interferem na massa de água.

O objetivo do estudo foi investigar as possíveis variações locais no aumento do nível do mar. Para tanto, os cientistas utilizaram dois conjuntos de simulações de modelos climáticos, explorando como alterações nas correntes oceânicas e nos ventos interfeririam no aumento do nível do mar em diferentes regiões.

Foram considerados dois cenários futuros. No primeiro, as emissões de gases de efeito estufa subiriam na mesma taxa atual. A temperatura média global alcançaria 3oC acima dos níveis pré-industriais até 2080. No segundo, de emissões reduzidas, o aquecimento seria limitado a cerca de  1,8oC.

As projeções não incluíram a contribuição do derretimento de geleiras e calotas polares. O aumento do nível do mar investigado pelos cientistas dizia respeito somente à expansão térmica provocado pelo calor adicional absorvido pelos oceanos.

Entre 2061 e 2080, os resultados indicaram que o aumento do nível médio do mar somaria 17,8 centímetros no cenário de altas emissões, e 13,2 centímetros no cenário de mitigação. Mas grandes variações regionais foram registradas.

No Atlântico Norte, por exemplo, a quantidade de aumento local do nível do mar esteve ligada à corrente do Golfo, que transporta água mais quente dos subtrópicos para o Ártico. A corrente empurra a massa de água do Atlântico em direção ao oriente, diminuindo o nível do mar em grande parte da costa leste dos Estados Unidos.

O aquecimento global, no cenário de altas emissões, levaria ao enfraquecimento da corrente do Golfo. Dessa forma, o aumento do nível do mar na costa leste dos Estados Unidos seria causado tanto pela expansão térmica quanto pela mudança na corrente do Golfo. Seria maior do que a média.

Outros tipos de correntes e outras bacias oceânicas se mostraram menos sensíveis ao grau de aquecimento global. No caso do Pacífico, os níveis do mar regionais sofrem a influência da Oscilação Decadal do Pacífico, um fenômeno que seria pouco alterado entre um cenário e outro. A bacia registraria um aumento do nível do mar com menor variação regional. 

Assim, cidades como Boston, Londres, Mumbai e Miami experimentariam um aumento do nível do mar acima da média no cenário de altas emissões. Por outro lado, para algumas cidades da América do Sul, da Ásia, da Austrália e da costa oeste da América do Norte, não se observou diferenças estatísticamente relevantes na taxa de aumento do nível do mar entre um cenário e outro.

Em maior ou em menor grau, variações regionais do aumento do nível do mar foram registradas em todas as bacias oceânicas. Os cientistas ressaltam que variações introduzem incertezas quanto à projeção futura do aumento do nível do mar local. As cidades costeiras, ao planejar medidas de adaptação, devem levar em conta esse fato.

Fonte: NCAR/UCAR
Mais informações: Internal climate variability and projected future regional steric and dynamic sea level rise
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo – aumento do nível do mar projetado para 2061-2080

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