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Prevendo o El Nino e La Nina

Ainda não é possível prever a ocorrência de eventos de El Nino ou La Nina no Oceano Pacífico. Os fenômenos, também denominados como Oscilação Sul-El Nino – OSEN -, acontecem na zona equatorial do Pacífico, e implicam em temperaturas mais quentes – durante o El Nino – ou mais frias – durante La Nina – na superfície do mar. Mas estudo de cientistas chineses pode contribuir para a melhoria da previsão desses fenômenos.

As causas que levam à ocorrência da OSEN não são completamente compreendidas pela ciência. O fenômeno impacta os padrões climáticos em todo o mundo. Sistemas de pressão atmosférica, regimes de vento, precipitação, entre outros, são influenciados.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE -, o El Nino provoca diminuição de chuvas na região Norte, com maior risco de incêndios florestais. Enquanto o Nordeste experimenta uma grande severidade de secas, na região Sul a chuva se intensifica de maio a julho, e a temperatura média sobe.  Durante La Nina, os sinais se invertem, com mais chuvas no Norte e Nordeste e secas no Sul.  

O estudo dos cientistas chineses investigou a relação entre a frequência dos ciclos da OSEN e um outro fenômeno climático do Oceano Pacífico, a Oscilação Decadal do Pacífico – ODP. Ela consistem em um ciclo de 20 a 30 anos de duração, no qual duas fases distintas se alteram. Na fase quente, as temperaturas das águas de médias latitudes do oceano na região oriental aumentam, e no ocidente, diminuem; na fase fria, o contrário acontece.

Para explorar a relação entre OSEN e ODP, o estudo utilizou dados observacionais e um conjunto de 19 modelos climáticos. A combinação de ambos permitiu aos cientistas investigarem se a Oscilação Decadal do Pacífico influência o ciclo do El Nino e La Nina.

Segundo o estudo, há uma influência significativa entre os dois fenômenos climáticos do Pacífico. Durante as fases positivas da ODP, a frequência de El Nino se mostrou 300% superior à frequência de La Nina. Na fase negativa da ODP, o inverso foi registrado: a frequência de La Nina foi 58% maior do que a de El Nino.

Dessa forma, os resultados indicaram a complexidade de fatores relacionados à previsão da OSEN. Os cientistas esperam que o avanço da pesquisa contribua para aprimorar as previsões de El Nino ou La Nina. E, com isso, preparar melhor as sociedades para lidar com as variações do clima.

Fonte: Academia Chinesa de Ciências – Instituto de Física Atmosférica
Imagem: NCAR/UCAR – mapa com indicação de fase positiva da ODP

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