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Aquecimento global e o oxigênio dos oceanos

O aquecimento global levou à anoxia de parte dos oceanos em um evento no passado terrestre, identificou estudo de cientistas da Nova Zelândia e do Reino Unido. As mudanças no sistema climático trouxeram como consequência a redução do nível de oxigênio em largas extensões dos oceanos.

Evidência obtidas a partir de registros paleoclimáticos indicam que, há cerca de 94 milhões de anos atrás, os oceanos experimentaram uma queda do nível de oxigênio. O período foi denominado com Evento de Anoxia do Oceano – Oceanic Anoxic Event, OAE, em inglês.

Uma técnica inovadora de análise de isótopos de urânio foi desenvolvida pelos cientistas. Ela permitiu obter, a partir de sedimentos marinhos antigos, informações relativas ao conteúdo de oxigênio oceânico. Amostras de sedimentos coletadas em falésias da Inglaterra e na Itália foram investigadas com a técnica.

O estudo também contou com um modelo biogeoquímico, por meio do qual os dados detectados nas amostras foram  interpretados. Com o uso do modelo, os cientistas estimaram a quantidade de dióxido de carbono – CO2 – presente na atmosfera, a fim de que o fenômeno da anoxia ocorresse. O modelo também permitiu explorar a possível área do oceano afetada pela anoxia.

O evento provavelmente se deu em função do aumento das concentrações atmosféricas de CO2 devida à atividade vulcânica longo de milhares de anos. O nível de CO2 na atmosfera alcançou níveis bem superiores aos atuais. Isso elevou a temperatura média global e alterou o sistema climático.

A temperatura da água dos oceanos se elevou. Também cresceu o intemperismo e, com isso, a descarga nos oceanos de nutrientes provenientes dos continentes. A combinação desses dois fatores levou à expansão das zonas mortas, nas quais o nível de oxigênio da água é muito baixo. O estudo estima que elas se estenderam por volta de 8% a 15% dos oceanos, comparada com 0,3% atualmente.

Para os cientistas, o estudo confirma evidências reunidas em outras pesquisas, reforçando o vínculo entre o crescimento da descarga de nutrientes e a anoxia dos oceanos. O evento durou cerca de 1 milhão de anos. Ele chegou ao fim depois que o nível de CO2 atmosférico diminuiu, e os oceanos se recuperaram.

Desoxigenar os oceanos, afirmaram os cientistas, é uma das consequências de longo prazo do aquecimento global. Mas um evento semelhante não é esperado no presente, devido às menores concentrações de CO2. Mas é provável que se observar um aumento do intemperismo no futuro. 

Fonte: Universidade de Exeter
Imagem: Pixabay

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