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Transformar a agricultura em sumidouro de carbono

Adicionar rochas de silicato trituradas aos cultivos agrícolas é uma alternativa viável para sequestrar o dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera. Ao mesmo tempo, sugere estudo de um time internacional de cientistas, a técnica auxiliaria na proteção das culturas contra pragas e doenças, enquanto melhoria a fertilidade e estrutura do solo.

A proposta é transformar as práticas agrícolas, de forma a que elas passem também a atuar no gerenciamento do sistema climático, de forma a mitigar o aquecimento global. Os cientistas buscam criar uma medida prática e imediatamente aplicável que torne a agricultura, de fonte emissora, em fonte de sequestro de CO2 da atmosfera.

A medida analisada pelo estudo constitui na aplicação em larga escala da modificação dos solos agrícolas por meio da aplicação de rochas de silicato trituradas. As rochas de silicato se caracterizam pela presença de silício e oxigênio, combinados com algum outro metal e talvez hidrogênio. A maior parte da crosta terrestre é composta por rochas de silicato, como o basalto.

A relevância desse tipo de rocha diz respeito ao modo como interagem com a atmosfera. No processo natural de intemperismo da rocha, à medida que se dissolvem quimicamente, o CO2 atmosférico é absorvido. Aplicar esse material em larga escala nos solos intensificaria a dissolução química, levando ao sequestro de CO2 em grandes quantidades.

As terras agrícolas ocupam aproximadamente 12 milhões de quilômetros quadrados, ou 11% por cento da superfície terrestre. Atualmente, os produtores aplicam um material semelhante aos solos, na forma de calcário, com fins de corrigir problemas de acidificação. Os cientistas sugerem alterar o tipo de rocha, passando-se a adotar os silicatos.

Dessa forma, a aplicação poderia utilizar a mesma infraestrutura existente. A medida não exigiria uma expansão da área cultivada para sequestro de carbono, ou implicaria em aumento da demanda por água doce. O estudo sugere que a aplicação de rochas de silicato nos solos também reduziriam o uso de fertilizantes e pesticidas.

Ainda existem desafios para viabilizar a proposta, ressaltam os cientistas. São necessárias pesquisas de campo para avaliar a eficácia da técnica em sequestrar o CO2. Potenciais impactos ambientais precisam ser detalhados, bem como a viabilidade econômica de implementação em larga escala.

O vídeo abaixo (em inglês), produzido por um dos centros de pesquisa envolvidos no estudo, apresenta uma síntese da proposta.

Fonte: Universidade de Sheffield
Imagem: Flickr/ Mathias Isenberg

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