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A seca aumenta a emissão de CO2 da floresta amazônica

Incêndios florestais constituem uma importante fonte de emissões de dióxido de carbono – CO2 – na Amazônia brasileira. Estudo de um time de cientistas brasileiros, dos Estados Unidos e do Reino Unido, identificou que a influência do desmatamento na incidência de incêndios nos últimos 13 anos diminuiu. Em compensação, aumentou a influência de secas extremas na ocorrência de incêndios.

Historicamente, a incidência anual de incêndios na Amazônia estava atrelada à taxa de desmatamento. Segundo o estudo, os incêndios constituem o método principal para remover a biomassa vegetal. A queimada para abertura da floresta transferia o carbono da vegetação para a atmosfera na forma de CO2.

Mas devido a esforços do governo brasileiro, a taxa anual de desmatamento caiu 66% até 2015 em comparação com a média de 1988-2004. Caíram também as emissões de carbono ligadas aos incêndios originados pelo desmate. Todavia, verificou-se no mesmo período um aumento de incêndios durante os anos de secas intensas, trazendo consigo um aumento de emissões.

Os cientistas avaliaram se as emissões de CO2 da Amazônia brasileira diminuíram por causa da redução do desmatamento. Ou se elas se mantiveram no mesmo patamar por causa da influência dos anos secos, em especial 2005, 2010 e 2015. Investigando as causas dos eventos de secas extremas, eles analisaram um conjunto de dados derivados de satélites como, entre outros, a precipitação e os focos de incêndio.

Os resultados mostraram que os picos em focos de incêndio do período estudado estiveram associados aos eventos de seca extrema. Nesse sentido, o estudo sugere que uma mudança no regime de queimadas na Amazônia, passando a ser controlado pelos eventos de seca em vez do desmatamento.

Em um cenário futuro de clima mais quente e seco, o estudo sugere que a área atingida pelos incêndios pode se expandir. Grandes faixas da floresta, distantes dos centros de desmatamento, ficariam vulneráveis às queimadas. As secas alteram a floresta e a torna mais propensa ao fogo. Além disso, as secas podem duplicar a taxa média de incidência de queimadas ligadas à pastagens e ao desmatamento.

Anteriormente, era raro detectar incêndios em trechos de floresta degradada. Mas os cientista alertam que essa condição pode mudar ao longo deste século, devido à alteração do clima. Caso o padrão de intensidade e frequência dos eventos de seca extrema na Amazônia observados nos últimos 13 anos se mantenha, esses trechos da Amazônia  ficarão mais suscetíveis a incêndios florestais.

Os cientistas alertaram que a estabilidade dos estoques de carbono da Amazônia pode estar em risco. Ainda que o Brasil suprima o desmatamento ilegal, outras atividades humanas de uso da terra, combinadas com a intensificação das secas extremas, podem aumentar no futuro a incidência de queimadas e a emissão de CO2.

Mais informações: 21st Century drought-related fires counteract the decline of Amazon deforestation carbon emissions
Imagem: Adaptado da figura 6 do estudo – estimativa de emissões anuais de CO2 pela Amazônia brasileira causadas pelo desmatamento (barras cinzas) e pelos incêndios (barras verdes).

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