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O carvão continuará fonte de energia apesar do aquecimento global

É prematuro falar que está chegando ao fim o uso do carvão para geração de energia, sustenta artigo de cientistas alemães. Se todas as usinas a carvão que atualmente planejadas forem construídas, elas sozinhas consumiriam quase todo o orçamento de carbono previsto para limitar o aquecimento global em 2°C acima dos níveis pré-industriais.

O artigo ressalta que o crescimento econômico lento e a expansão da energia renovável contribuíram para conter o avanço das emissões de gases de efeito estufa. Um dos maiores avanços se deu na implementação da energia solar, a tal ponto que analistas sugeriram que a fontes empurraria o carvão, fonte mais intensiva em emissões de dióxido de carbono – CO2 -, para fora do mercado.

Outros dados alimentavam o otimismo a respeito do fim do uso do carvão. Após décadas de crescimento, em 2016 o consumo global de carvão caiu cerca de 1,7%, e a produção em até 6,2%. Grandes consumidores, especialmente a China e a Índia, suspenderam a construção de usinas à carvão em fase de planejamento. Revisões indicaram que as reservas economicamente recuperáveis podem ser bem menores do que o previsto.

São fantasiosas análises afirmando que o uso do carvão para a geração de energia está chegando ao fim. De acordo com os cientistas, a energia baseada em carvão ainda constitui a base do setor energético de diversos países, com uma quantidade significativa de centrais elétricas à carvão anunciadas, planejadas ou em construção. 

Da capacidade global de energia à carvão em construção ou planejada, 73% concentra-se em cinco países recém industrializados: China, Índia, Turquia, Vietnã e Indonésia. Apesar da redução do plano de construir novas usinas na China e na Índia, outros países, como Bangladesh, Paquistão ou Egito, pretendem aumentar vigorosamente a capacidade instalada. O Egito, por exemplo, considera expandir em quase oito vezes a capacidade instalada de usinas à carvão.

Projetos de infraestrutura no setor de energia possuem vida útil de longo prazo. A construção de novas usinas representa um comprometimento com emissões futuras de CO2 nas próximas décadas. Os cientistas buscaram quantificar essas emissões. Para tanto, levantaram todas as usinas à carvão planejadas e em construção, estimando a quantidade de emissões geradas ao longo da vida útil de cada planta.

O estudo indica que os cinco países com maior número de usinas planejadas dificilmente alcançariam as metas nacionais de mitigação das emissões, caso elas sejam instaladas. apresentadas por cada um deles no âmbito do acordo climático de Paris. 

Para ter uma boa chance de limitar o aumento da temperatura média global a no máximo 2°C, o artigo cita que as emissões de CO2 devem ser de no máximo 700 gigatoneladas (esse é o orçamento de carbono). Estima-se que a infraestrutura socioeconômica existente, incluindo setores como energia e transporte, emitiriam 500 gigatoneladas de CO2 até que o nível de emissões caia para zero.

Os cientistas calcularam que as centrais à carvão em construção ou planejadas produziriam ao longo de sua vida útil adicionais 150 gigatoneladas de CO2. Isso equivaleria a mais de um quinto do orçamento de carbono disponível para se alcançar a meta de 2°C. A instalação dessas usina poderia comprometer o acordo climático de Paris.

O carvão se mostrou a opção energética mais barata em diversas regiões do planeta na última década. O artigo adverte que não será o barateamento das fontes renováveis que irá eliminar o uso do carvão para geração de energia. A eliminação progressiva do carvão exigirá políticas específicas.

Mais informações: Reports of coal’s terminal decline may be exaggerated
Imagem: figura 3 do artigo – gráfico com a estimativa futura das emissões de usina à carvão existente (linha preta), em construção (linha vermelha) e planejadas (linha rosa). As emissões das usinas é comparada com um cenário de emissões no qual o aquecimento global é limitado a 2°C, com emissões do carvão indicadas pela cor cinza escura.

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