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10 mais importantes questões ligadas às mudanças climáticas

Lançado em 2015, a organização não governamental Futuro da Terra – Future Earth, em inglês – é uma iniciativa internacional com o objetivo de promover a pesquisa científica voltada para a sustentabilidade global. Constituída por uma rede de cientistas, a ONG propõe uma agenda internacional de pesquisa para orientar os cientistas, promove uma plataforma de interação entre a comunidade científica, os usuários da ciência e a sociedade, e realiza diversos projetos.

Para a reunião deste ano da Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP 23, em Bonn, na Alemanha, a ONG Futuro da Terra elaborou um relatório com o que considera as 10 mais importantes questões ligadas às mudanças climáticas. O relatório foi baseado em inúmeras avaliações e relatórios científicos internacionais, como, por exemplo, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês, e outras referências da literatura científica.

A seguir, apresentamos um resumo dos fatos listados pela ONG.

1. Uma nova era geológica – o Antropoceno

A influência humana sobre o planeta tem sido significativa, diz o relatório. Muitos cientistas sugerem que o planeta entrou em uma nova era geológica, denominada de Antropoceno. As evidências dessa mudança de era incluem, entre outros, o aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, a acidificação dos oceanos, a depleção da camada de ozônio, a perda de biodiversidade e alterações nos ciclos de carbono, água e nitrogênio.

2. A possibilidade de ocorrer pontos de virada no sistema climático

Evolução da temperatura média global nos últimos 10.000 anos. As barras vermelhas indicam os limites de temperatura relacionados a diversos pontos de virada do sistema climático. A meta do acordo climático de Paris está indicado na faixa tracejada, entre 1,5 e 2°C. As linhas azuis mostram o aumento projetado da temperatura até 2100, considerando cenários de baixas, médias e altas emissões. Fonte: figura 2 do relatório.

No passado, grandes partes do sistema terrestre, como as calotas polares, as florestas tropicais ou os oceanos, passaram por abruptas alterações após longos períodos de mudanças graduais e contínuas. Esses momentos nos quais mudanças graduais se tornam rápidas e súbitas são conhecidos como pontos de virada. Elas podem ser irreversíveis e afetar negativamente as populações humanas.

A literatura científica aponta potenciais pontos de virada do sistema climático, de acordo com o aumento da temperatura média global. Para temperaturas entre 1 e 3°C acima dos níveis pré-industriais, dentro da meta estabelecida no acordo climático de Paris, pode-se citar o derretimento irreversível de parte da calota polar da Groenlândia e do Oeste da Antártica ou o desaparecimento de geleiras.

3. Riscos ligados a eventos extremos

As observações indicam que, nos últimos 50 anos, ondas de calor ficaram mais comuns em partes da Europa, da Ásia e da Austrália. É provável que o tenha crescido o número de eventos de precipitação extrema em muitas regiões nas últimas décadas, especialmente no Sudeste Asiático e na Europa. Ao contrário das mudanças graduais do clima, os eventos climáticos extremos possuem implicações sociais e econômicas mais graves e profundas.

4. Riscos ligados ao aumento do nível e à acidificação dos oceanos

Gráfico com a comparação do nível do mar atual (à esquerda), das concentrações atmosféricas de CO2 e a temperatura média global acima do nível pré-industrial. São apresentados quatro períodos: o presente (barra à esquerda), os dois últimos períodos interglaciais (as duas barras do meio), e há 5 milhões de anos atrás – quando as concentrações de CO2 estavam no mesmo nível atual. Note que nos dois últimos períodos interglaciais, estima-se que a temperatura média era maior do que a do período pré-industrial. Fonte: figura 4 do relatório.

Segundo o relatório, até o final do século o nível médio global do mar subirá cerca de um metro. A alteração trará profundas consequências para as zonas costeiras globais, particularmente as cidades litorâneas. Em um cenário de altas emissões, o derretimento da calota polar da Groenlândia e da Antártica podem levar a dois metros de aumento do nível do mar por cada grau de aquecimento global.

Outro fator diz respeito à acidificação dos oceanos. Ao absorver da atmosfera parte do dióxido de carbono – CO2 – emitido pelas atividades humanas, o PH das águas dos oceanos muda, ficando mais ácido. Não há precedentes no registro geológico do passado terrestre para a velocidade com que a acidificação dos oceanos acontece atualmente. A última vez em que o ritmo da acidificação chegou perto das taxas atuais foi há 56 milhões de anos atrás, com graves consequências para os ecossistemas oceânicos.

5. O aquecimento global custa caro

Gráfico do cálculo do impacto econômico associado ao aumento da temperatura em 1°C. Fonte: figura 5 do relatório.

Análise do Fundo Monetário Internacional – FMI – sugere que países menos desenvolvidos poderão sofrer uma redução do PIB per capita de até 1,5% para cada 1°C de aumento de temperatura. Mas os países mais desenvolvidos também estão vulneráveis aos impactos econômicos do aquecimento global. Por exemplo, estudos indicam que o custo anual das tempestades ao longo da costa leste dos Estados Unidos e do Golfo do México subirá entre US$ 2 e 3,5 bilhões nos próximos 15 anos.

6. Riscos à saúde humana

O relatório cita pesquisas que sugerem um aumento no risco de mortes e doenças relacionadas ao calor, devido ao aquecimento global registrado até o momento. Também se tem analisado como mudanças locais na temperatura e nas chuvas podem modificar a distribuição de algumas doenças transmitidas pela água e por vetores. No futuro, a acelerada transformação dos sistemas naturais terrestres ameaçam a saúde humana e os meios de subsistência por meio de impactos na nutrição e disponibilidade de alimentos, de doenças respiratórias e da disseminação de parasitas.

7. Intensificação do risco de migrações e conflitos civis

As mudanças climáticas podem acentuar os riscos de migração em larga escala e de conflitos civis. Entre os fatores climáticos de estresse, listam-se a temperatura, o padrão de precipitação, os eventos extremos e o aumento do nível do mar. Este último tem o potencial de expor milhões de pessoas ao risco de inundações e deslocamentos costeiros severos, principalmente no leste, sudeste e sul da Ásia. Inundações, ondas de calor e secas podem exacerbar condições sociais e econômicas frágeis.

8. É urgente

Gráfico representando a redução das emissões a cada década, com vistas a alcançar a meta do acordo de Paris. O uso e ocupação dos solos – setor agrícola – deve, de fonte de emissões (linha cinza) passar a sequestrar carbono da atmosfera (linha azul). Fonte: figura 8 do relatório.

Estima-se que, mantendo-se as taxas atuais de emissão de CO2, de cerca de 40 Gt por ano, em 20 anos não será mais possível limitar o aquecimento global em 2°C. Para a meta de 1,5°C, a possibilidade acaba antes de 2020. Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Mitigar as emissões de gases de efeito estufa para cumprir a meta de 2°C é um desafio descomunal. As emissões globais precisam atingir o pico até 2020 e, a partir daí, cair para aproximadamente zero entre 2050 e 2060. Essa hercúlea e assombrosa façanha deve abranger o fim da queima de combustíveis fósseis, a suspensão do desmatamento, a conversão do setor agrícola de fonte em sumidouro de carbono, e a proteção de sistemas naturais terrestre e marinhos que sequestram carbono.

9. Cooperar e colocar preço no carbono

O relatório afirma que descarbonizar a economia mundial exigirá a cooperação entre todos os setores e atores. E uma das melhores políticas seria estabelecer um preço para o carbono. Ela teria a vantagem de nivelar o jogo entre os diversos atores, de tornar competitivas as fontes de energia com baixas emissões, e de incentivar os agentes econômicos a reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

10. Mitigar e adaptar

Mesmo que a meta do acordo climático de Paris seja alcançada, haverá a necessidade de implementar medidas de adaptação às mudanças climáticas em curso. O relatório alerta que ações de mitigação e de adaptação devem ser realizadas em conjunto. Sem mitigar o aquecimento global, nenhuma estratégia de adaptação funcionará, uma vez que se tornam mais onerosas, menos efetivas ou, em alguns casos, ineficazes, com o aumento da magnitude das mudanças climáticas.

Mais informações: The​ ​10​ ​Science​ ​‘Must​ ​Knows’​ ​on​ ​Climate​ ​Change
Imagem: IRENA/ COP23

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